quinta-feira, 7 de maio de 2020
Blaming the angel
Everything hurts.
You keep on living just because its too troublesome to stop
You just want the time to pass you by until you die
And then you find an angel
and while it stays around you you want to be alive, it makes you feel good, it makes you feel better, it makes everything less painful
While it wants to stay around you everything its fine
you feel the long lost will to keep on living and its great
it wants to be with you and you're both happy with that
Eventually the angel starts showings signs it might want to go away every now and then
and it makes you feel scared that it might go away forever and you will go back to the miserable life you had before
So you tell it that it needs to stay with you, and slowly start making it believe that.
You remember how strong are its wings and you begin setting traps around it
You see the angel need to fly and so you start making its wings heavier
You are just so scared that it'll leave you and you'll be alone with your pain again that you need to make everything to keep it with you
Now the angel its struggling around the chains you set, its screaming and crying and its hurting you
It doesnt like you anymore, it doesnt make you happy anymore, it just makes you feel new different kinds of pain.
But you dont notice that, you're still scared that without the angel your life will be bad like back then, so you fight to keep it around you, you try to trick it to need to come back to you if it leaves.
So you pretend to let it free and it sort of flies around you without actually leaving
You feel like your plan is working, you're glad but still feel the need to punish the angel for its bad behavior, so you start making things that hurt it
Suddenly the angel can't take it anymore, it leaves for good.
You're scared that now things will go back to the way they were before.
But they dont.
Your life indeed sucks. Everything still hurts.
You really dont want to keep on living and stopping doesnt sound that troublesome anymore.
You wonder if you even want time to pass you by.
Its worse.
sábado, 27 de julho de 2019
Só pra não deixar no papo imaginário
Eu não sou uma pessoa que tem um canal no youtube, eu sou uma pessoa que não tem coragem de gravar a própria voz e a própria cara e ainda postar pros outros verem assim . . . eu fico postando sim stories bestas de instagram, mas no youtube a coisa é mais oficial né... não é? Enfim, queria, não consigo.
Eu não sou uma pessoa gorda. Pesei ontem e deu 63kg e acho que nutricionistas e médicos, senso comum e opinião pública devem ficar pistola comigo se eu disser que sou gorda.
Acontece que eu não me acho magra, eu me acho errada, e eu não to confortável nesse corpo que as pessoas dizem que não é gordo mas minha cabeça diz que é.
Eu tenho noção que não sou plus size, tenho noção de que não sofro gordofobia, não sou idiota, sei a diferença. Eu não tenho medo de sentar numa cadeira de plástico e ela quebrar. Eu não sento no ônibus me abraçando pro meu corpo não incomodar ninguém. Eu sei que tem um monte de situações que eu não passo, e sei que tem um monte de coisa pelas quais as pessoas gordas passam e eu não consigo nem imaginar. Eu entendo, um pouco, eu tenho alguma noção, do meu lugar... Eu acho...
Eu só tenho medo de sentar no colo de uma pessoa e ela me achar pesada. Eu tenho agonia quando o namorado decide me pegar no colo e eu acho que ele vai morrer tentando fazer isso, meu coração dispara, meu cérebro presta atenção na respiração dele e no fôlego e no esforço que ele demostra precisar pra me levantar, me da desespero. Ele diz que tá tudo bem, que eu não sou gorda, que não sou pesada, que não tem dificuldade pra me carregar. Mas minha cabeça me convence de que ele só tá falando essas coisas pra não me magoar.
Eu não fico confortável pelada, eu não fico confortável de biquíni, eu não me sinto bonita com quase nenhuma das roupas que tenho e uso. Eu uso o que me faz sentir o máximo de conforto q eu sou capaz de sentir comigo mesma, e quando tou confortável pra sair na rua eu não tou me sentindo bonita.
Eu ás vezes decido colocar alguma roupa que eu acho que me faz parecer bonita, mesmo que eu não esteja confortável, dependendo do lugar que eu vou vale mais a pena eu me sentir bonita do que me sentir confortável. Todas as vezes que isso ocorre minha cabeça tenta por várias vezes me convencer a desistir porque eu devo estar estranha usando aquilo. Saia. 100% das vezes que eu usei saias, eu me olhei no espelho e falei Quem Raios É Essa Menina Esquisita, e nossa, devia por uma roupa que faz mais sentido pra mim, mas eu também sei que se eu for nesse tipo de lugar - digamos que seja alguma festa em rep, sei la, que as pessoas costumar ir bonitas - vestindo o que eu visto normalmente, eu vou me sentir um lixo, vou me sentir a pessoa mais feia do role, e vou querer ir embora... o que normalmente é o que acontece.
Eu visto calça jeans e camiseta, visto camisa e moletom, visto tênis. Eu tenho saias, sapatos, chinelos, shorts, uma ou outra blusa que não configura camiseta. Mas eu tenho mais camiseta preta mesmo, porque com camiseta preta não tem como errar. E todo mundo já ta mesmo acostumado a me ver de camiseta preta e calça jeans. Aquele que me vê em qualquer lugar usando camiseta preta com shorts já acha esquisito. Se me vir de saia e blusa então, não vai me ver, vai ver uma estranha e sair andando.
Meus olhos já vão transbordar aqui se eu continuar pensando nisso.... E eu tenho que trabalhar.... Então chega de desabafar pra ninguém hoje.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2018
Abismo de expectativas
Reflexões pós sessão com psicóloga
As coisas levam tempo e esforço.
Eu nao sou um genio.
Eu sou normal e apesar de ter facilidades extraordinarias eu preciso realizar grandes esforços normais pra realizar coisas extraordinarias.
Os problemas da minha mãe e do meu pai são deles e a melhor coisa q eu posso fazer por eles é me ajudar.
Se a culpa é do meu pai ou não não cabe a mim julgar.
Não contar com as pessoas pra me dar a mão e me apoiar.
As pessoas não querem e NEM SABEM COMO me apoiar.
Parar de contar com as pessoas pra me salvarem me apoiarem e me compreenderem.
Os amigos nao tao procurando amizades que precisam se esforçar pra cuidar
Desistir antes de tentar.
Não conseguir fazer coisas basicas porque quer fazer coisas incriveis.
Parar de passar o fds em sp pra fazer nada.
Ficar em barão pra estudar.
Fazer freela. Cuidar de mim pra minha mãe nao ter q cuidar$
domingo, 9 de dezembro de 2018
Я решил сегодня убить себя.
Literalmente.
Logicamente.
Racionalmente.
Não vai ser hoje.
Decidi hoje q vai rolar.
Vou escrever umas coisa e gravar uns video.
Pras pessoas q se importam. Pras que não se importam
Pra minha mãe e pro meu irmão principalmente.
E provavelmente pro meu pai também.
Vo escrever os argumentos dos meus roteiros
Vo registrar.
Contar pra internet quais são pra ver se as pessoas se dignariam a redirecionar os creditos pra mimha familia caso meus filmes sejam produzidos.
Aí vou parar de ser um fardo pra essa família.
Vou ser um impacto pra acordar meu pai pra vida.
Vou ser um ensinamento pra minha mãe.
Vou parar de ser uma decepção pra faculdade.
Vou deixar de ser um mau exemplo de anarquista.
Vou parar de ser uma chatisse pros meus amigos.
Amanhã as 11 da manhã eu vou na psicologa pra contar pra ela da minha decisão e dar uma chance pra ela tentar me convence do contrário.
Mas apesar de tar fazendo isso de desencargo de consciência.
Confesso q to com medo do caos q ela pode mobilizar pra tentar me impedir.
Então sei la.
Vou ver q q eu falo pra ela.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2018
Essa vai ser minha rede antissocial
As vezes eu queria ter uma rede social pra ficar sozinha.
Nao sozinha feito twitter.
Sozinha de verdade.
Só pra falar.
Aí eu lembro dos blog.
De diário.
E agora to escrevendo aqui no cel nas notas.
E tipo mano.
Eu fico muito chateada.
Pq no TT eu me sinto sozinha o tempo todo. Falo varias merdas pesadissimas e ngm liga.
Parece q ninguem ta vendo. Que ce ta falando sozinha e nao tem ninguem.
Aí ce fala UMA coisa brisa torta e vem varias gentes respondendo.
Agora ces reagem.
(Contextualizando, eu mandei um tweet que foi lesbofóbico pq eu julguei uma mina pq ela tinha cara de macho. Ja saquei q foi escroto e vo prestar mais atenção)
Entao quando é politicamente pesado ces se importam.
Mas
Se eu to falando que to sofrendo.
Que quero me matar.
Que não aguento mais.
Fodasse.
Ninguem liga.
Ces pensa "É Eu tambem Sofro."
"Nossa que merda né."
E keep scrolling.
Aí os canal e perfil de gente famosa que bomba são os da galera escrota q fala merda e sai causando
e voces não sabem porquê.
Carinha de pikachu.
Tava falando com uma amiga disso.
Ela ta fazendo um curso de permacultura.
Com uma galera muito firmeza.
E ta amando a sincronia e a conexão da galera.
E fica levantando a questão de pq que com os amigos nao é assim?
Pq que não é assim com a gente que mora junto?
Pq q tem gente que se importa mais ou menos e tem gente que se importa de verdade?
E nao vem de dizer que é culpa da internet.
A internet aproxima as pessoas.
Eu fiquei mt mais proxima de pessoas pq fui apoiar quando elas demonstravam online que precisavam de apoio
Diversas vezes.
Mas eu sou o ponto fora da curva.
Eu e outras poucas migas. Tipo essa da permacultura.
Outliers.
A gente se importa com todo mundo o tempo todo e acha estranho quem se importa só com quem quer e quando quer.
E não é só de achar esquisito
É de achar injusto e insensível.
De achar que a amizade dessa outra pessoa não vale a pena.
Aí eu chego online falo isso.
Que não acho uma única amizade que sinto que vale a pena.
E ninguem fica ofendido.
Ninguem liga se eu acho q a amizade delas vale ou não a pena.
Como pode isso, mano?
Sério.
Como pode?
domingo, 2 de dezembro de 2018
Será que você é deprimida e ansiosa mesmo?
-------Depressão-------
Você não tá deprimida, você tá chateada. Você não tá deprimida, você tá cansada, você não tá sem expectativa de vida, você tá percebendo como o mundo é realmente uma bosta. Só isso.
E tudo bem você estar chateada, cansada, ou realista. É uma merda também. Mas mano, não vem me dizer que você tá deprimida.
Depressão não é uma coisa que você ta um dia.
É uma doença, droga.
A gente TEM depressão.
A gente acorda em crise, passa o dia todo na merda tentando se fazer SENTIR alguma coisa, QUALQUER COISA. Fica se drogando com distrações, álcool e alucinógenos pra fingir que ta tudo bem.
A gente desiste de qualquer coisa, e não tenta varias coisas porque não vale a pena, porque não faz sentido, porque não tem porquê.
A gente quer se matar, porque não vale a pena ficar vivo, porque dói, porque não tem graça, porque é difícil e nada te convence que vale a pena ficar vivo.
A gente quer se machucar pra lembrar como é sentir algo, nem que seja dor.
A gente ta pouco se fudendo pras coisas que sao importantes, tanto alimentacao, quanto higiena, quanto saude, quanto trabalho, quanto faculdade, quanto contas, quanto relacionamentos.
A gente SABE que é importante, droga.
A gente só não consegue se importar porque foda-se tudo.Porque nada vale a pena, porque ninguém vale a pena, nem você. Porque qualquer esforco é esforco demais. Porque qualquer coisinha é stress demais, trabalho demais, concentracao demais, preocupacao demais. Porque a gente nao tem mais nada. A gente nao tem mais forca, nao tem mais energia, nao tem mais espaco dentro do peito, apesar de tar tudo vazio.
A gente dorme porque nao tem mais o que fazer, não que a gente nao tenho um milhao de tarefas e responsabilidades, mas a gente nao consegue mesmo lidar com nenhuma delas e o tédio é avassalador e nada engole ele.
As vezes voce nao consegue sair da cama, porque voce ta triste. As vezes voce quer ficar sozinha em casa porque voce ta decpcionada com alguem ou com voce mesma. As vezes voce ta cansada porque dormiu mal, nao comeu direito ou estudou ou trabalhou o dia todo.
Mas isso näo quer dizer que você ta deprimida.
Você vê a gente no dia dia fazendo coisas normais, rindo, conversando, estudando, e acha que o que você sente é igual ao que a gente sente.
Porque depressão é isso, né. Um dia ce ta bem, noutro dia ce não ta bem.
Mas não. Não é simples assim.
Quando você vem a primeira vez e fala pra gente que ta deprimida a gente te leva puta a serio. A gente busca te acolher, a gente entende que você deve tar em crise, a gente sabe como é uma merda e a gente quer te ajudar.
Mas aí a gente percebe que você é só mais uma pessoa com problemas.
E que você tá triste e preocupada com eles.
Aí a gente fica na amizade, ali, te apoiando porque todo mundo merece ser apoiado, não só as pessoas que sofrem como a gente sofre.
Mas vamo la.
A gente fica SIM, ofendida, BASTANTE ofendida quando você vira e diz que também ta deprimida que nem você. Que você ta tao estressada com aquela prova que você ta deprimida igual a gente.
E mano. Não.
Só não.
E a gente fica ofendida porque você diminui tudo que a gente ta sentindo, e desmerece o esforço enorme que a gente gasta pra tocar uma vida normal.
Porque você legitima aquele papo de "todo mundo também tem depressão e se vira, e você, por que não consegue?" esse papo que faz a gente preferir morrer mesmo do que tentar continuar sobrevivendo.
Enquanto você não souber o que é preferir MORRER do que lavar uma simples louca, ou levantar pra tomar banho, ou ir pra uma aula.
Eu não to falando de querer morrer quando seu namorado termina com você, ou quanto o banco bloqueia sua grana, ou quando você é demitida ou quando você treta com seus pais.
To falando de querer morrer porque você não aguenta mais QUALQUER COISA, seja o que for. Porque chega.
Aí você vem me dizer que ta deprimida.
Beleza?
Beleza.
-------Ansiedade -------
Ansiedade não é você se preocupar com as coisas.
Não é você se importar com coisas importantes e se estressar pra fazer certo coisas que são sua responsabilidade.
Não é você ficar com vergonha de falar com a @.
Ansiedade não é você ir pra festinha e não conseguir puxar papo com um estranho.
Não é você não responder as mensagens dos outros porque não sabe o que dizer.
Não é ficar nervosa antes de uma prova ou uma festa ou um evento.
Ansiedade é você sentir que o mundo a sua volta está desabando.
O. Tempo. Todo
É você sentir que não vai dar tempo. Você tem 12 horas pra tomar banho, comer, e sair, mas você fica desesperada porque não vai dar tempo.
É você não conseguir conversar com uma @ ao vivo, e as vezes nem online. (inclusive ficar eternamente solteira por causa disso)
É você não conseguir deixar de responder uma mensagem porque você sabe o desespero que sente quando alguém não te responde.
É você não conseguir lidar com a possibilidade de alguém não gostar de você, porque ela deve ter bons motivos e você deve ser uma pessoa escrota.
É você ficar tão preocupada com as coisas que você sabe considerar rapidinho tudo que pode dar errado e se precaver das situações mais improváveis.
É você raramente esquecer as coisas porque ficou horas pensando em tudo que talvez precise e fez uma lista de tudo pra não esquecer, porque vai que você esquece e se fode.
É você precisar de 3 horas pra ficar pronta (mesmo que consiga ficar pronta em 10 minutos) porque se te fizerem se arrumar em 15 minutos você entra em pânico, e prefere desistir de ir do que surtar.
Então faz o favor de não vir me dizer que você é ansiosa se você consegue fazer todas essas coisas que a gente quase morre e sofre muito pra conseguir.
Ainda mais se você uma das pessoas que coloca a gente em todas essas situações que faz a gente querer pular de uma ponte.
Dá muita agonia e juro por tudo que da vontade de se matar e de preferência levar você junto. Porque vai se foder.
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Ps: Eu não sou psicóloga ou psiquiatra pra diagnosticar ninguém, sou só mais um ser humano doente tentando não sentir muito ódio dos outros, se você se sentiu ofendido, mêu, desculpa, para de ler, deixa um dislike, qualquer coisa, mas me deixa em paz.
Mas se você realmente acha na moral que eu não tou conseguindo enxergar alguma coisa. Pode chamar no inbox e me explicar se tiver paciência. To na vida pra aprender.
Ps2: eu tava enrolando pra falar disso a muito tempo, ai hoje agora q eu to sofrendo com crise o dia todo e procrastinando o trabalho pra entregar amanha eu decidi vir escrever isso.
Ps3: eu quase não consegui escrever todas as coisas que não é. Porque tudo que eu pensava acabava sendo.
segunda-feira, 19 de novembro de 2018
Os dois lados da Força e como sugiro lidar com eles.
Já sabemos que estabilidade emocional e psicológica é privilégio?
Já sabemos que somos todos um pouco opressores?
Já sabemos que empoderamento é privilégio?
Pra quem não sabe está na hora de ficar claro.
Avisos:
* Polêmicas sobre Lugar de Fala e Hierarquia de Opressão serão atiçadas a seguir. Tais polêmicas me estão incertas, ou seja posso cometer equívocos.
* referências a Star Wars a seguir.
Quando olhamos pra nossa própria pessoa temos diversas variantes de identidade, somos brancos, negros, indígenas, asiáticos, somos héteros, gays, lésbicas, trans, assexuais, somos mulheres, homens. Diversas variantes. Normalmente sabemos nos classificar dentro destas variantes, pode haver dúvidas uma vez que a formação da identidade nunca cessa ao longo da vida. Mas normalmente sabemos em grande parte com quais destas variantes nos identificamos.
Eu, particularmente, sou branca, mulher, bissexual/pansexual/demissexual, cis com tendências a agênero, de classe média.
Acontece que eu não sou só isso. Nenhum de nós é apenas um conjunto de variantes das categorias que a humanidade inventou até agora.
Eu sou feminista com dificuldades de empoderamento do meu corpo, sou depressiva e ansiosa, sou insegura e tenho problemas na família, tenho problemas de relacionamento, tanto sexual quanto de amizade, sou paranoica, pessimista, superprotetora, indecisa, solitária, potencialmente suicida, tenho dificuldades financeiras e desesperos cotidianos comuns.
Também sou anarquista, antifascista, reflexiva, questionadora, criativa, empolgada, conspiratória, espiritual, excessivamente empática, muito relativista e possivelmente alienígena.
Cada um de nós (nós do lado Jedi da Força, porque fascista tem que apanhar ate perder todos os dentes mesmo, então quando eu digo nós é esse nós , que fique claro), todos somos cada qual um conjunto de variantes classificadas e não classificadas. E precisamos entender que pra que consigamos interagir decentemente, é necessário enxergar o outro em sua totalidade, além das variantes comuns categorizadas historicamente, além de gênero, raça, classe, e sexualidade.
Mas como eu posso enxergar o todo de uma pessoa que acabei de conhecer?
Não pode. Não de imediato. Poderá se ambos decidirem se conhecer e desenvolver essa interação. Enquanto essa decisão não for tomada, simplesmente não tem como.
Que fazer então?
Lembre com calma que não é impossível trabalhar com incógnitas. Eu diria que não é nem difícil. Basta sempre partir da premissa que você não sabe nada da pessoa com a qual fala, até que ela vá se apresentando e se identificando.
Algumas variantes categorizadas são mais óbvias, quanto a etnia e gênero talvez, ainda assim, você não tem certeza até que a pessoa de identifique.
Normalmente o que acontece é que a pessoa se apresenta com seu nome, e a partir dele você deduz o gênero, talvez pela manifestação cultural da sua fala você possa identificar mais algumas variáveis. (Ainda sem certeza até que a pessoa de identifique)
Isso tudo acontece automaticamente.Você já faz tudo isso.
Inclusive é dentro desse processo automático que as pessoas reproduzem lgbtfobia, machismo, racismo. E isto é o meu melhor argumento pra nos convencer de que devemos tirar esse processo do modo automático e fazê-lo acontecer de forma consciente.
Parece difícil, mas basta calma e paciência.
Se você não estiver em condições de se manter em calma e sua paciência estiver nos limites, talvez você não deva estar interagindo com estranhos. Neste caso basta que você diga que não esta de bom humor e postergar a interação. Simples assim.
Se até agora estou me fazendo parecer muito simplista é porque o esforço de ser didática está sendo efetivo.
Nada disso é simples. É tudo mais complexo e confuso. Por isso vamos devagar.
Já estamos prontos (quase) pra olhar pro outro. Preparados, alerta, conscientes.
Mas precisamos também olhar pra nós mesmos.
Porque dentro de nossas variantes estão abertas várias margens pra opressão. Identifique seus privilégios, de classe, raca, gênero, sexualidade... É preciso estar mais alerta pra estas variantes, estás na qual você se encaixa no lugar privilegiado.
Afinal se você está do nosso lado da Força você não quer oprimir o amiguinhe, certo?
E você sabe que só porque se encaixa dentro de algumas variáveis oprimidas isso não te impede de ser opressor quanto a outras.
Ok, então. Já estamos preparados pra enxergar nossas posições privilegiadas.
Já estamos preparados pra interagir com um ser outro.
Só que não.
É preciso considerar também as variantes não-classificadas, não é mesmo?
Principalmente se vamos fazer uma interação política, crítica, construtiva, somatória.
As pessoas tem momentos, tem problemas, tem diferentes níveis de empoderamento e diferentes condições de estabilidade emocional e psicológica.
Precisamos lembrar a todo momento que não sabemos nada disso.
E só saberemos se o outro nos contar, e muito provavelmente não contarão.
O que fazer então?
Por segurança, considerar o pior dos casos.
Sempre converse com o outro partindo da premissa de que esta pessoa é sensível às suas palavras. Não só ao que você quer dizer com elas, mas também ao que ela está ouvindo do que você está dizendo.
Qualquer palavra perdida no meio da sua mensagem pode ser um gatilho pra alguma variante da pessoa que é o outro.
Por isso é importante ouvir o que se está dizendo. Prestar atencão.
Uma crítica construtiva da sua parte pode ser recebida como gatilho pra surtos e um possível suicídio de uma pessoa instável.
Isso não quer dizer que você não deve falar nada nunca, nunca criticar. Nunca questionar, nunca relaxar pra conversar com as pessoas porque pode gatilhar o outro. Quer dizer apenas que precisamos de cuidado.
E se faz necessário reiterar esse cuidado porque não estamos acostumados a ter esse cuidado.
E agora. Nesta época crítica da situação sociopolítica brasileira. Todos estamos meio em crise. Todos estamos instáveis, sensíveis, ariscos. É natural que estejamos. Então se faz mais urgente que prestemos atenção nesses fatores.
E antes que me ouçam como a hippie pacifista, repito, a comunicação não-violenta aqui se direciona ao nosso lado da Força.
Fascista se trata com violência sim, até ficar com medo dos Jedi, fascista tem que ser exposto, humilhado, apanhar, até querer se esconder.
Assim, tão importante quanto tudo que já foi dito, é necessário ver as pessoas com clareza.
Não é difícil enxergar quem é gente como a gente e quem tá do lado errado da Força.
Mas se você não tiver com os olhos abertos, você vai tratar um parceiro Jedi com a violência que um fascista merece.
Portanto devemos sair pra interagir com calma e olhos abertos.
Paciência e atenção.
No modo alerta, e automático desligado.
Quando estivermos vulneráveis, cansados, ariscos, sensíveis, se pudermos escolher (o que normalmente o capitalismo não permite) é ideal que fiquemos dentre amigos, em ambientes confortáveis, até que estejamos mais fortes.
Interação exige energia, concentração.
Recarregue-se.
domingo, 14 de janeiro de 2018
Praying for my Positive Mental Attitude to return tomorrow
So this friend's parents get him in a insecure mood and this friends starts being weird to me.
So this friend's brother got him sad and mad, don't know who ever might have gotten him depressed.
So this friend gets me sad and mad. I refuse to get my mom and brother equally sad or mad.
MAN
THERE'S JUST SO MUCH FEELS I CAN TAKE IN WITHOUT LETTING NOTHING OUT (hm.... I need to start boxing....)
Depression is indeed contagious
and I'm starting to feel like I'm here in the world just to take all chains of depression and contain it
Because that's the only thing I kind of do well.
I am indeed kinda good in taking people's chain of depression and not spreading it.
I feel peoples feelings, I understand them and try to turn them around, I try to show them different perspectives, I try to show them I really care and I'm not saying things just for the record, I try to make them feel comforted, I try to remember them that Life is more than what they're feeling at that moment.
Yet, I feel I don't have people to do that for me.
I feel like when I need this kind of reassuring no one is there to support me.
I hope I'm not the only one ending chains of depression, or the world is doomed.
domingo, 11 de junho de 2017
A Arte da Desistência
E olha, esse cachorro caga de medo mas se tem uma coisa que ele tem é coragem.
E eu digo isso porque sei bem o que é covardia.
Se tem uma coisa que eu sei fazer é desistir antes de tentar.
Eu fundamento essas decisões com um monte de análises de possibilidades e expectativas e digo que claramente não vai dar certo, que vou me fuder, que vou me machucar ou destruir algo ou alguém.
Aí desisto sem nem chegar perto de tentar.
Então, é, eu frequentemente faço não fazer seja la o que for que eu possa desistir.
É por isso que eu nunca me envolvi em relacionamentos, é por isso que eu nunca completei nada daora, é por isso que eu nunca fiz nada e por isso que eu não tenho mais vontade de fazer nada, já que seja o que for que eu vá começar provavelmente não vou terminar.
Manja aquele cientista maluco do Jimmy Neutron?
Professor Calamitous
O cara que nunca termina nada. Ele que tem um monte de invenções nunca terminadas.
Essa sou eu.
Nunca faço nada direito e nunca termino as merda que começo.
Mas é logo depois disso que eu chego a conclusão que não vale a pena tentar começar nada.
ps: Eu gosto de chamar as coisas de Arte quando eu domino essas coisas.
Só pra poder dizer Eu Domino a Arte da Desistência.
domingo, 12 de fevereiro de 2017
The People vs. O.J. Simpson
Eu acabei de terminar a série. American Crime Story, primeira temporada, sobre o caso de O.J. Simpson, o Juice, estrela do futebol americano, ídolo e inspiracão de americanos de todas as cores. Ele foi acusado de assassinar a ex-esposa e seu atual parceiro com um conjunto imenso de evidências. Ele contratou os melhores advogados, inclusive um especialista da causa negra anti-racismo.
A serie tem enorme sucesso em apresentar 4 temas políticos de extrema relevância e polêmica. Racismo, Machismo, Mídia e Sistema Jurídico. A situacão e especificidade do caso faz com que algumas delas entrem em conflito umas com as outras, mas sobre cada uma a crítica é feita.
Esse caso é delicado justamente porque contém a mulher como vítima, e ao mesmo tempo, o homem negro como vítima. Mas as duas são colocadas em lados opostos frente á corte e ao juri.
O homem negro vem sendo oprimido, isto é, assassinado, escravizado, surrado, explorado, reificado á séculos.
O homem vem oprimindo, assassinando, violentando, abusando, estuprando, surrando e explorando a mulher á séculos.
E, infelizmente, o homem negro não se exclui desta categoria.
Mulher também apanha de homem negro. Homem negro também estupra. E esses mesmos homens negros que oprimem mulheres são sim vítimas de racismo. Ao mesmo tempo. Uma coisa não exclui a outra.
Eis então a falha no sistema e a complexidade da sociedade durante o caso de assassinato de Nicole e Ron.
Aqui eu comeco a contar detalhes do caso na serie, mas nao chega a ser forte spoiler, ta mais pra sinopse:
A equipe de defesa de O.J. Simpson buscou provar que a polícia de Los Angeles, (que é de fato racista e fascista) incriminou O.J. e plantou diversas evidências por motivos racistas.
O que de fato deve ter ocorrido em diversos casos de outros réus negros ao longo da história e ainda deve acontecer atualmente.
A equipe da promotoria encarregada de acusar O.J. de culpado no assassinato buscou enfatizar as evidências incontestáveis, através de provas com dna e histórico de violência doméstica, e acusou a defesa de usar a teoria da "cospiracão" sobre o racismo na polícia pra libertar uma assassino rico, famoso e culpado.
A partir daqui vai ter spoiler, tá?
Depois de um par de luvas que cabia mas não cabia, depois de um detetive racista e assumidamente nazista, depois de diversos fatores e evidências questionadas, depois de diversos livros, diversas entrevistas na mídia, diversas polêmicas, O.J. Simpson foi declarado inocente pelo juri.
Sem nenhum outro suspeito a investigacão do assassinato de Nicole e Ron não continuou.
As mensagens enviadas, que não necessariamente são recebidas na íntegra pelos espectadores são :
- A crítica sobre a efetividade do sistema jurídico e constitucional americano que falhou ao libertar um assassino, o que ocorreu completamente de acordo com as regras do sistema;
- A exploracão e poder de controle da mídia sobre a opinião pública que foi usada de instrumento pela defesa e foi demasiado opressora com a promotoria, principalmente machista em relacão á Marcia Clark, e também foi silenciadora e excludente sobre o também assassinado Ron;
- O machismo da sociedade como um todo, ou seja, da parte da mídia, das famílias, da própria promotoria do Estado, dos advogados de defesa e até da comunidade negra. Retratado em volta de Marcia Clark, da vítima Nicole e de Peggy esposa do juiz encarrecado do caso. (sobre as quais eu posso falar mais detalhadamente depois)
- A corrupcão e cospiracão racista de toda uma sociedade e da amplitude das consequencias destas quando permitidas dentro de uma instituicao de controle e poder como a polícia, que foi demosntrada pela defesa na sua amplitude que ultrapassa o caso de O.J. independente do veredito que recebeu, assim como o racismo presente em todos grupos, seja na mídia, na promotoria, na defesa, e na prória instituicão de admnistracao do juri.
Isso foi um resumo de tudo que eu penso, depois eu falo mais.
domingo, 27 de março de 2016
Cheguei à conclusão que eu sou uma ameba
Eu me importo pra caralho mas toda vez que tou vivendo eu penso que se me importasse de verdade estaria fazendo alguma coisa útil em vez de, bem, viver. Então chego à conclusão de que não me importo de verdade. Aí, me convenço de que não me importo. Me convenço de que não iria conseguir fazer nada útil mesmo que me importasse. Então não faço nada mesmo.
Mas na prática, isso não facilita meu viver. Apenas faz com que eu faça tudo com remorso.
Eu podia tar acabando com o racistas e tou aqui lendo um romance inútil. Eu podia tar denunciando abusos e tou aqui jogando esse jogo idiota. Eu podia tar disseminando a revolução e tou aqui deitada encarando a parede. Eu podia tar pregando a autonomia e tou aqui rindo de gifs no tumblr. Eu podia tar destruindo homofóbicos e tou aqui inventando quarenta e duas formas de bagunçar com as gatas.
Como vocês conseguem dormir e se importar com o sexismo? Como vocês conseguem transar e se importar com o racismo? Como vocês conseguem comer e se importar com a homofobia? Como vocês conseguem amar e se importar com a revolução?
Eu me sinto hipócrita. Muito. Tem um ser dentro de mim me julgando dizendo 'Se você se importasse mesmo estaria lá lutando e não aqui vendo série no netflix'. Esse ser passa o dia todo sussurrando varias fitas. E todas elas provam o quanto eu sou inútil, o quanto eu não me importo, o quanto eu sou passiva, o quanto eu não faço e nem farei diferença nenhuma pro mundo.
O dia todo. O tempo todo. Todos os dias. Com meu cérebro me bombardeando de motivos pelos quais não adianta eu fazer nada mesmo, não adianta eu fingir que tou fazendo algo útil aqui e ali de vez em quando. Na prática eu não tou fazendo nada útil. Na prática eu não faço mesmo nada útil porque sei que tudo que sei fazer é inútil.
Eu sou uma pessoa teórica. Se desse pra minha existência estar no plano das ideias ela estaria. Eu estaria. Eu tou sempre pensando. Refletindo. Teorizando. Inventando ideias. Não escrevo nada. Raramento falo pra alguém. [o que é engraçado, porque, de fato, a porcentagem do que eu falo com pessoas em relação ao todo que eu penso é tão pequena, de verdade, muito pequena, apesar de parecer que eu falo muito.] Não estudo nada. Não leio nada. NÃO LEIO NADA. Por Satan! Toda teoria revolucionária que move minha cabeça eu invento dos meus pensamentos, baseados na minha noção de justiça. Eu li uma coisa aqui e ali. Quando eu leio, que é quase nunca, é pra confirmar se realmente essa conclusão que eu cheguei vai de acordo com sei la qual autor de sei lá qual corrente política. Pelo amor de luci, quando eu descobri que Marx não curtia a propriedade privada eu fiquei chocada: 'nooooossa, se pá isso que eu penso é marxismo' [não era]. COMO RAIOS a cabeça de um ser humano pode funcionar desse jeito? Quero dizer. As pessoas normais tem cabeças que não funcionam dessa maneira, certo? Na real eu tou começando a duvidar. Talvez a cabeça das pessoas funcione assim mesmo. Você pensa algo. Fala pra alguém que você pensa algo. Esse alguém te diz que aquele autor já escreveu sobre algo. Aí você lê aquele autor e descobre que concorda com ele.
É assim que as cabeças funcionam? Pra mim faz muito sentido, na verdade. Talvez devesse ser assim mesmo. Apesar de que é possível que pra mim só faça sentido porque minha cabeça funciona assim.
Mas não se empolgue. Eu raramente chego na fase de ler pra tirar a prova efetiva da suposta concordância entre o autor e o meu pensamento. Por isso não sei qual vertente do feminismo eu sigo. Não sei qual vertente do anarquismo eu apoio. Não sei quais autores corroboram com a maioria dos meus raciocínios.Por isso eu não consigo [acho eu] enxergar minhas incoerências. Por isso eu não consigo de fato fazer nada do que acho que deveria ser feito.
É em resumo. Eu não faço nada. Não vou fazer nada. Vou viver de nada. E devia ter escolhido mesmo qualquer outro curso da minha lista de cursos que eu queria fazer por pura curiosidade, devia tar na biologia, na geologia, na química, na física, na matemática, qualquer uma; mas não, eu achei que sociais ia me guiar no sentido da revolução. Hah.
sexta-feira, 25 de março de 2016
Saudade da minha caneca
Que praga essa coisa. Sentimentos. Ninguém devia ter isso. Acho que isso aí é um puta bug no sistema operacional humano que deviam arrumar logo. Não dá mais.
Eu não consigo conceber o quanto os sentimentos são amplos e enraizados nas ações de todas as pessoas. Mas de verdade, em TODAS ações. Até na ausência de ações. Eu, por exemplo, tou sendo movida pela necessidade de proteger meu orgulho - o que eu entendo como um sentimento, uma emoção, ainda que não consiga escolher um nome que bem lhe represente - quando deixo de contar pras pessoas que abalam meu coração que gosto muito delas. Agora, diga-me qual RAIOS é a utilidade de um sentimento desse? Pra nada serve. Pra bagunçar tudo. Ainda que seja difícil ver esse exemplo como um sentimento. A maioria dos sentimentos servem apenas pra complicar relacionamentos interpessoais e causar sofrimento e dor. [E tou dizendo a maioria pelo princípio da incerteza mesmo, não consigo pensar em nenhum que sirva pra algo.]
Se houvesse uma passeata pelo fim das emoções, eu ia com certeza.
Agora, como se não bastassem pessoas e sentimentos, tem instituições. Tipo, ai meu santo capeta, a Família. [Note que na minha visão de instituição também cabem: machismo, etiqueta, ''religião'', e etc] A família é aquela coisa que ta ali, todo mundo sabe como funciona, todo mundo se fode com ela, e todo mundo passa a vida fugindo dela e ainda assim pregando 'ui ui ui familia é a unica que voce pode confiar, ai ai ai familia voce tem que amar bla bla bla'. Acho que é a hipocrisia que mais me irrita, mas enfim. Familia é o treco que faz o universitário que estuda longe voltar nos feriados idiotas pra sentar em volta de uma mesa, comer qualquer coisa junto de alguma forma ritualística cujo significado ninguém sabe, e sofrer com as conversas intolerantes.
Juro, dez minutos em casa e minha vó já tava reclamando de ''cabelo ruim'' de negro. PELOAMORDOSANTOCAPETA
Mas, tá, calma. Foco. Nem toda família é totalmente conflituosa com seus integrantes universitários. Tem famílias que realmente se amam e tal.... será?
Me preocupa um bocado isso. Afinal, eu volto pra SP porque tenho que manter uma relação com meus pais pra poder ver meu irmão, pra que eles me mandem dinheiro e pra satisfazer pequenas saudades. Normalmente saudades da cidade. Eu ainda sinto muita falta de São José dos Campos. As pessoas devem sentir falta de pessoas de suas cidades. Eu não tenho pessoas em SP mais. Digo, conheço pessoas. Mas não tenho mais proximidade pra sair com elas. O QUE É UMA MERDA porque meus pais acreditam piamente que é normal ficar as 48hrs do fim de semana dentro do apartamento passando hipotético ''tempo'' com eles.
Enfim, é, as pessoas tem saudades de parentes, amigos, da cidade, dos rolês, sei lá. Mas vocês já pararam pra apreciar a saudade das coisas? Acho que todo mundo deve ter saudade de umas coisas. Eu parei pra notar hoje o quanto eu senti falta da minha caneca. Ela é preta e vermelha s2. Ela tem uns kanji japonês escritos, que eu não faço a menor ideia do que são, e ela tem um par branco. Branca e vermelha a outra. Eu nao sei porque senti falta mais de uma do que da outra. As duas são e não são minhas, como tudo nessa casa e de ''minha posse'', meus pais compraram com o dinheiro deles então eles que determinam o que eu posso ou não chamar de meu. Nos tempos primordiais da compra - ou talvez tenha sido um presente - a caneca preta era de papai e a branca de mamãe. Nada haver. Eu que uso as duas, e só uso elas e nada mais. NA PRÁTICA SÃO MINHAS.
Eu senti tanta saudade dessa caneca que quase abracei ela antes de enchê-la de coca. Na real, capaz de eu ter feito isso sim, não lembro.
De qualquer forma. OLHA ISSO. Um sentimento tão forte e profundo quanto saudade, assim, inutilmente associado a objetos materiais sem nenhuma história marcante ou significativa. Me diz se esse treco não é um bug que precisa arrumar. Cade a atualização do homo sapiens? quando sai o 2.0? Tá na hora. E olha. Esse não é o único bug. É só o único sobre o qual eu tenho paciência pra discorrer sobre no momento.
>> Só pra testar, pessoas fofas que curtem Death Note e eram apaixonadas pelo L travavam com a musica tema assim como eu? MANO, eu dava um puta overheating e parava de funcionar, sério, rolava até umas convulsão emocional. Não pode isso não. Precisa atualizar o sistema.
Eu morri quando descobri essa tubular bells: The Exorcist // L Theme Song <<
Como quebrar uma sagitariana
Eu tou quebrada.
Dois rolês e o cara me quebra. Pode isso?
Eu já estive quebrada antes, no nível depressão contagiosa. Tipo, beeem quebrada.
Mas cara. A quebradura aqui ta passando dos limites, eu tou ficando lunática.
Não é justo. Paixonites são coisas que devem ser temporárias.
E não faz sentido nenhum. O cara não tem nada demais.
Mas essa que é a fita, ele usou das malandragem, certeza.
Ah pararará senta aqui vamo se pegar, ok, foi bom, tchau - faz você pensar que não foi nada aí boom, aparece noutro role de novo, deixando muito claro muito bóvio que que ele quer - aí, pá, pega um pouquinho, troca umas ideia, pega um pouco mais - faz você pensar que ta rolando algo daora, desperta um interesse - e aí tcham tcham tcham, some - onde tinha interesse não tem mais, migué aqui e ali, sumida forever - pronto fodeo
PUTAQUEOPARIL melhor técnica pra quebrar uma sagitariana
MIGO FALA SÉRIO, HAJA MALDADE NO CORAÇÃO, TUDO TEM LIMITES
Ce não pode quebrar uma sagitariana desse jeito, é tipo profanar o mais sagrado dos túmulos, sei lá.
Meu coração não guenta, explode, esparrama, contamina todo sistema periférico e nem me fale dos danos no sistema nervoso central.
Tou de boa, no banho, sonhando com as fitas perfeitas pra se iniciar a revolução, fantasiando mesmo. Eu faço isso. Fico narrando como se tivesse lendo um livro. Aí tou lá eu fantasiando sobre rolês, imaginando as coisas acontecendo feito filme e de repente eu termino com desfecho a la cinderela. MAS QUE PORRA. Sério. Não dá. Não aguento isso.
Por que fazer isso comigo? Me diz. É por maldade só? Algum tipo de vingança? É algum score machistão? Quantas corações de minas de cabelo colorido eu consigo destruir em um ano. Self Bet.
Que que é? Pode ser da natureza do ser. Eu entendo. Evil nature, Tenho também. Sei como é, mas pow, rola umas misericórdia de vez em quando, não? ''Poxa, foi mal, eu não queria sequestrar seu coração e fazer dele picadinho, desculpa não ser recíproco, sabe como é, não da pra controlar... '' ALGO ASSIM! QUALQUER COISA, poxa, misericórdia.
Até eu que tenho ego frágil faço isso ás vezes, não é tão difícil, vai.
Olha que é o mesmo ego frágil que não quer ir falar na cara do ser 'oi, da pra ce me dar um fora de uma vez, tou precisando' Ô SANTO CORAÇÃO SAGITARIANO, CUSTA ASSUMIR A DERROTA DE UMA VEZ, chega uma hora que é melhor a humilhação bruta final do que a self-inflicted humilhação diária. Que que é isso, minha gente? Que que ta acontecendo?
Não. Sério. Para. Olha isso. Eu fugi do facebook. Agora tive que fugir do tumblr.
O negócio ta complicado. Eu não sei o que que eu tou fazendo que ta dando tão errado. Eu costumava superar as crush tão fácil. Poxa. De verdade, eu não dou conta mais de sentimentos, eles bugam meu raciocínio, que é a maldita coisa em mim que eu realmente gosto. Não posso passar por isso.
Se alguém tiver uma poção Supera-Crush, pelo amor do amado capeta, me descola isso, por favor.
Eu não vou durar muito mais.
Sadly, with love.
-Moron
quarta-feira, 29 de julho de 2015
Ser das Trevas (Recomendo que vocês não leiam isso)
Várias pessoas já me perguntaram ''como você pode ser das trevas e ter medo do escuro?'' É até facil de explicar mas não é fácil de entender, aí me dá preguiça. Eu tenho medo do escuro por que minha imaginação é muito fértil e minha crença em fitas paranormais é bem grande. Então sim,e u ja vi uns babadooks e outros capetas nas sombras do meu quarto. Eu acredito em parte que esses capetas tão ali de boa coexistindo com a realidade que eu tou e pá, que não tão super afim de me matar ou me possuir, mas o medo tá mesmo na existência da parada. Porque se as fitas que eu vejo existirem, o que me garante que existem fitas existindo por aí que são minhas inimigas na mesma quantidade das que são minhas amigas. Se pá o medo, em sua parte racional, é isso aí.
Mas pra um coração trrevoso como o meu. Eu consigo não ligar muito pra isso. Eu consigo tar tão de boa com a possibilidade da morte que nem me pergunto se alguma das sombras quer me matar. São momentos que eu tou de boa. Acontecem.
Agora, não é só isso que um coração trevoso faz. Claro que eu só posso falar do meu.
Não da pra passar uma semana inteira sendo feliz o tempo todo. Não dá. O coração não permite. Primeiro as coisas que te fazem feliz passam a ser indiferentes. Depois passam a te comer a paciência. Depois te dão raiva. E depois, quando as coisas acabam, volta tudo a ser indiferente.
A indiferença domina até as fitas mais triviais da vida. Não ligo se o sol vai nascer ou se por. Não ligo se alguém vai aparecer ou ir embora. Não ligo se o semestre vai começar ou acabar. Não ligo se vou viver ou morrer.
Não ligo pras pessoas, nem pros sentimentos delas, nem pros problemas delas. Todos os três só me fazem sentir cansaço, tédio, e impaciência.
É claro, que a melhor solução pra isso tudo é o suicídio. Mas pra mim não é mais uma opção.
Eu tenho um irmão que não quero deixar no mundo alone. Quando tudo mais é indiferente o sofrimento que ele tem ou terá não é indiferente. Eu me dei a responsabilidade de cuidar disso. De tirar ele dos caminhos que eu já passei que deram em sofrimento. Não sei se tenho praticado isso muito bem. Mas não me dou o direito de desistir. Não consigo.
Mas se alguma coisa no escuro do meu quarto me matar. Eu não vou ter desistido. Chega até a ser uma esperança.
domingo, 26 de julho de 2015
Ser estranho
Fumo flor
Durmo uma tarde inteira se precisar
tenho roupas, mochilas e sei la mais quantas fitas estampadas com caveiras
Gosto de arco-íris e trevas ao mesmo tempo
Não gosto que me acordem com informações
Tenho preguiça de fazer comida então como só tudo que for pronto
Gosto de músicas velhas, novas, corretas, incorretas, dançantes, deprimentes, pesadas ou felizinhas, sejam em italiano, japonês, francês, coreano, indiano, alemão, inglês ou português.
Sou viciada em cigarro, pepsi e inércia.
Devem ter um monte de outras coisas em mim que me faz um ser estranho. Mas enfim.
Existe um tipo de estranho que é suspeito, que pode ser perigoso. Mas que tipo de estranhices se encaixam nesse?
Fumar cabelo
Durmir vinte horas todo dia
Ter roupas mochilas e sei la mais quantas fitas estampadas com animais sofrendo
Gostar de carne bovina e humana
Não gostar que olhem nos olhos.
Ter preguiça de sair de casa, então não sair de casa nunca
Não gostar de músicas.
Ser viciado em em em.... não sei
Acho que nunca vi ou ouvi falar de um estranho assim. Mas será que isso faria dele um estranho tão estranho assim?
Por que tem alguns trejeitos estranhos que tudo bem e outros que dão medo? Quem fez o estudo de fumantes de cabelo ou apreciadores da carne humana são necessariamente perigosos?
Acho que a gente é ensinado a ter noções muito arbitrárias do que é um estranho perigoso e um estranho só fora do normal.
Talvez todo mundo mereça uma chance mesmo que isso possa vir a colocar nossas vidas em risco.
Talvez...
domingo, 5 de julho de 2015
O que se perdeu da linha
Os números não batiam. Desacostumado com a incoerência, Rafael não sabia o que fazer. Procurou alguma opção no monitor que pudesse registrar o erro dos dados. Nada encontrou. Refez a conta. Quarenta e dois nascidos na parteria D até ás 18 horas, Quarenta e um recebidos na ala 23 do berçário IV até á meia noite. Rafael deu de ombros, alterou o dado para o valor correto e seguiu para próximo formulário.
Chorava um pequenino ser perdido numa calçada fria. Ele não foi enxergado por ninguém, não havia lugar pra ele na programação do sistema. Ele não havia sido previsto, perdeu-se da linha de produção e não completara seu trajeto. Chorava no mais agudo volume que podia mas o sistema não era capaz de ouvi-lo, não era programado para ouvi-lo. Chorou até dormir.
Ao amanhecer a pequena coisa já havia desistido de chorar. A calçada já não mais estava tão fria. Mas a luz do sol machucava-lhe os olhos. Enrolou-se num canto e ali ficou até que imaginasse algo diferente pra fazer.
Incapaz de se comunicar, incapaz de entender muito do que acontecia a sua volta, mas extremamente hábil em não ser notado, um humano andava entre os outros. Seu maior temor era que algum deles que passavam viessem dizer-lhe algo. Sabia que qualquer que fosse este algo não seria capaz de entender. Não passara pelo programa educacional que os outros passaram.
Seu corpo era anormalmente esquelético. Era o único humano que não sabia a frequência correta da vitaminação. Também era o único que ultrapassava as quadras. Os humanos não precisam ultrapassar quadras uma vez que seus dormitórios e escritórios eram devidamente planejados pra estarem na mesma quadra. Cada quadra possuía exatamente tudo que os humanos que moram nela precisam; seus refeitórios, copulatórios, empórios, escritórios e dormitórios.
Sempre se perdia, andando e repetindo tudo que os outros faziam. Não sabia voltar por onde veio, uma vez que o que tinha á sua frente era exatamente igual o que tinha ás suas costas. Mas por um momento teve a impressão de que notara algo que não era igual áquilo que já havia visto. No fim de uma imensa rua havia um prédio pouco mais alto que os outros. Sentiu o desespero correndo por suas veias e correu. Agitava-se pela animação de finalmente descobrir algo que não fosse tediosamente igual a tudo. Suas energias acabaram no meio do caminho. Parou no refeitório de uma das quadras, serviu-se de uma das vitaminas esverdeadas que saiam igualmente gosmentas de todas as máquinas, tomou em dois goles e continuou correndo.
Com empolgação entrou no imenso prédio onde via muitos outros da sua idade. Andavam em filas, entravam em salas e saiam de salas, todos vestidos com muitas cores diferentes, com muitos padrões semelhantes também. Seguiu um deles, entrou numa das salas e sentou-se á uma das mesas. Num monitor via múltiplas imagens, reparou que os outros usavam fones na cabeça, então tratou de vestir o que encontrava sobre sua mesa. As imagens falavam, conversavam, e muitas coisas foram explicadas. Muitas coisas que antes confundiam ficaram esclarecidas.
Quando saiu de lá já era noite. E sentiu a capacidade de falar. Ouviu as grandes fotos brilhantes da rua e as entendeu. Viu as imagens coladas nos vidros dos refeitórios e conseguiu lê-las. Percebeu-se alfabetizado. Animou-se como nunca antes, inflou seus pulmões como nunca soube que podia. E correu. Pela mesma rua. Agora sabendo de que sentido havia vindo e para qual sentido ia. Conseguia ler. Conseguia entender. Passou a madrugada correndo. Rindo. Lendo. Entendendo. Se sentindo um deles.
Parou apenas ao encontrar um novo prédio. um diferente daqueles que haviam em todas as quadras iguais, e diferente daquele que o havia ensinado a entender. Era grande e baixo. Seguiu sua mais longa parede até onde encontrou janelas pra ver o interior.
O cansaço carcomia seu corpo mas não impedia que a cena lhe espantasse. Pela janela via esteiras rodando sob vários carimbadores de etiquetas. Cada carimbador etiquetava com um nome diferente, mas não muito diferente. Sonolentos os bebês eram etiquetados de Bruna, Gustavo, Amanda, Vitor, e o que deviam ser seus sobrenomes eram séries de números, Vitor 6029384, Carol 7203846, Rafael 4019367, Ana 7192849 Pedro 5920893, Mariana 6723854, Lucas 4267402, Julia 6982367... Chegou a notar a repetição, ou quase repetição quando viu um Pedro 5920894. Não conseguia entender o porquê, mas aquilo tudo nauseava-lhe. Sentiu-se menos humano. Sentiu-se perdido e confuso como deviam estar aquelas crianças. Teve de continuar andando, com nojo da realidade que respirava, mesmo incapaz de entender, mesmo sem querer entender, mesmo sem saber se ia pra de onde havia vindo ou pra onde estava indo. Seguiu a grande rua até precisar sentar pra dormir, numa parede qualquer encostou-se em posição fetal e adormeceu.
Abriu os olhos quando sentiu que o ar brilhava demais. Viu raios de sol iluminarem seus pés de muito longe. Ainda era noite mas o sol conseguia alcançar seus membros. Ele nascia no fim de tudo, mas de uma linha que dava pra ver, era realmente distante mas o sol era capaz de percorrer aquela distância. Levantou-se em choque quando notou a ausência de prédios. Conseguia ver muito além do que jamais conseguiu. Todas as casinhas á sua frente eram pequeninas, muitas, mas pequenas, e cada vez menores quanto mais próximas do sol. Viu ao seu lado um par de portões. Dividiam a rua de um grande sítio, que possuía casas baixas mas bem maiores. Os portões não eram de pedra nem de metal. Eram cor de sujeira e nunca tinha visto um material daquele, por isso assustou-se quando rangeu ao tentar movê-lo. Entrou e foi andando, de olhos arregalados. Nunca vira tantas pessoas velhas juntas e desacompanhadas de robóticos, eles sempre estavam acompanhando os idosos á algum lugar. Aquele devia ser o lugar afinal. Os idosos reparavam sua presença, olhavam com simpatia, pondo os dentes a mostra. Não via humanos lá fora fazendo aquilo, mas era acalentador. Começou a ouvir um som semelhante ao do portão, mas repetitivo. E o seguiu. Viu o humano mais velho que já vira desde que percebeu que existia, sentado numa cadeira que o empurrava pra frente e pra trás.
Olhou pro senhor franzido na cadeira balançante. Recebeu o olhar de volta. De repente ambos sentiram a mesma paralisia, sentiram o mesmo enjoo e desespero. Suando frio, o velho viu o esquelético menino aproximar-se dele. O menino sentiu-se familiarizado ao notar as cores dos olhos do velho. Relaxou-se quando sentiu o quão inofensivo realmente era o menino que se aproximava. Ele tocou a mão do velho e nisso o corpo jovem apagou-se, como um velha memória que se esquece, e o velho lembrara.
Viu-se nos campos onde os alfabetizados eram recolhidos para trabalhar. Viu os idosos de sua época serem levados pra alojamentos tal qual o que estava agora. Viu a si e aos seus parceiros enquanto eram encaminhados para as alas de entretenimento. Lembrou-se de muitas horas que ficou assistindo a propagandas e propagandas, uma atrás da outra. Lembrou-se de ser alimentado cade vez pior, mas ficando cada vez mais saudável. Lembrou-se de ser selecionado e enviado uma vez por semana ao copulatório 84, de ir e voltar de lá milhares de vezes até começar a definhar de artrite. E então viu-se onde estava a muitos anos. Envelhecendo. Apenas. Descartado. Inútil ao sistema. Deixado para morrer.
Olhou a sua volta, pela primeira vez em muitos anos, olhou e enxergou. Viu tudo aquilo que o sistema havia planejado. Entendeu o que todos estavam fazendo, o que estava sendo feito a todo momento. Percebeu a diferença da vida que tinha quando ainda sabia o que era consciência e da vida a qual sobrevivia agora, se é que podia chamá-la de vida. Marejou seus olhos quando lembrou do que era sentir empatia. Sentiu a vida de todos a sua volta, sentiu sua quantidade. Seu padrão. Seu vazio. Lembrou-se do que era sentir agonia.
Sua única lágrima mal havia alcançado o chão quando morreu de parada respiratória.
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preciso escrever um conto apocalípitico
Bom, eu fui pensando num apocalipse real, sem sobrenaturalidades e sem a natureza destruir a humanidade, cheguei a conclusão que preciso pegar tudo de bom que há ou deveria haver no mundo e destruir pra que fosse o apocalipse. Então decidi começar pensando tudo do mundo que eu acho que é bom. Pra listar. E pensar uma forma de destruir tragicamente.
Primeiro eu pensei na Liberdade; na Empatia; no Amor; nas Conexões; e cheguei a conclusão que eu já sei muito bem como destruir as relações pessoais sejam intra ou interpessoais. Então tentei pensar no que mais há de bom e aí vem as reticencias, o que mais?
Florestas, campos, ventos, lagoas, rios, mares, peixes, aves, ursos, ...
fiquei nessa, bucólica, e travei.
sexta-feira, 3 de julho de 2015
minha relação com a politicagem
Sobre redução da maioridade penal. Foda. Muito foda. Primeiro que encarcerar é uma dos meios que faz menos sentido na tentativa de reabilitar á sociedade pessoas ''criminosas''. Aí vem os tontos na câmara e seus seguidores achando que colocar seres humanos ainda mais novos numa prisão vai adiantar alguma coisa pra melhorar a vida das pessoas. Prender as pessoas que já estão sendo presas já não adianta, prender pessoas ainda mais crianças vai adiantar como?
Eu fiquei irritada com as pessoas todas a favor a redução da maioridade penal, mas também fiquei com as pessoas contra. Todos focamos tanto nas coisas mais erradas que a política brasileira tá fazendo e esquecemos de olhar as coisas absurdamente erradas que a política, e não só a brasileira, já fez e está fazendo a muito tempo.ENCARCERAR NÃO DÁ CERTO. É ERRADO, eu odeio usar o termo 'errado', mas não tenho dúvidas de que É SIM errado, privar uma pessoa de sua liberdade de ir ver as pessoas que quiser, na hora que quiser, onde quiser só serve pra deixar ela mais perturbada, irritada, enraivecida e talvez psicótica. Existem pessoas que tem pavor físico com a prisão, e tem nome pra isso, nome que todo mundo conhece; Claustrofobia. E aí vamos todos prender pessoas desajustadas á sociedade pra deixar com que elas sintam o quão opressor pode ser um ambiente que não permite que elas se movam. Como se cultivar uma claustrofobia dentro de pessoas que não a tem fosse resolver o problema de desajuste que ela tem com a sociedade.
Além disso, preciso dizer que se estar desajustado a essa sociedade é ser criminoso, eu tenho muito muito orgulho de ser criminosa. Se tem uma coisa a qual eu não quero me ajustar é essa sociedade depravada, distorcida, degradante, cultivada em cima de um monte de definições perturbadas, em cima da ganância,em cima do patriarcado, do racismo, da homofobia, da transfobia, em cima de todas as intensificações das características mais horríveis do ser humano; essa sociedade que não sabe o que é amor, confiança, apoio mútuo, que não sabe o que é educar, não sabe pensar na formação de uma pessoa, não sabe ver o humano como humano, só sabe construir uma porrada de instituições que desumanizam. Todo humano se encaixa na definição de criminoso dada pela sociedade de hoje.
Assim sendo, sou humana portando sou criminosa. E com orgulho.
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Pessoas e Sentimentos
Toda vez que engulo os sentimentos eles ficam guardados no meu subconsciente e explodem nos momentos mais errados. Errados no sentido desconfortável, porque são todos os momentos, qualquer momento é errado pra se soltar essa bomba de sentimentos. Ela é sempre demais pra qualquer ato da realidade.
Mas pessoas. Pessoas me cansam muito. Todas e cada uma exigem da minha compreensão, empatia e paciência. E eu sei me jogar. Eu sei dar tudo de mim. E dou. E minhas energias se esgotam. Vale a pena. Mas é um cansaço inexplicável que vem depois.
Aí tem casos de pessoas que consomem minhas energias sem que isso gere algo produtivo. Só consomem. São pessoas sensacionais, em pensamentos, características, e sentimentos, pessoas que me fascinam e me fazem querer mais. E aí meu cérebro se deixa consumir por essa vontade intensa, vontade de conviver com essas pessoas. E o cansaço que vem desses casos me frustra, porque é muito inútil, é improdutivo, é só minha vontade. Me deixa com raiva de não poder trancar meu coração dentro de um baú, feito Davy Jones.
Além disso, tem outro cansaço, é meio que só uma dor. As pessoas são sensíveis. ás coisas que você fala, ás coisas que você faz, ás coisas que você pensa, ás coisas que você sente. É muito trabalho de pensamento pra conseguir conviver com as pessoas sem deixar elas magoadas, enraivecidas, confusas, apaixonadas, sem deixar elas com todos aqueles sentimentos que a língua não tem palavras pra representar. E aí eu fico triste, eu vejo as coisas que fiz e disse que deixaram as pessoas assim e me arrependo. E dói. O arrependimento só dói. E aí soma com o cansaço a mais de pensar o que fazer agora que eu já fiz cagada. Então só da preguiça de pessoas e sentimentos.
Eu cansei de continuar pensando e falando disso. Preguiçei de continuar. Então é isso aí.
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