segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Os dois lados da Força e como sugiro lidar com eles.

Nesses tempos de crise política está sendo muito crítico discutir certas questões invisibilizadas.

Já sabemos que estabilidade emocional e psicológica é privilégio?
Já sabemos que somos todos um pouco opressores?
Já sabemos que empoderamento é privilégio?

Pra quem não sabe está na hora de ficar claro.

Avisos:
* Polêmicas sobre Lugar de Fala e Hierarquia de Opressão serão atiçadas a seguir. Tais polêmicas me estão incertas, ou seja posso cometer equívocos.
* referências a Star Wars a seguir.

Quando olhamos pra nossa própria pessoa temos diversas variantes de identidade, somos brancos, negros, indígenas, asiáticos, somos héteros, gays, lésbicas, trans, assexuais, somos mulheres, homens. Diversas variantes. Normalmente sabemos nos classificar dentro destas variantes, pode haver dúvidas uma vez que a formação da identidade nunca cessa ao longo da vida. Mas normalmente sabemos em grande parte com quais destas variantes nos identificamos.

Eu, particularmente, sou branca, mulher, bissexual/pansexual/demissexual, cis com tendências a agênero, de classe média.

Acontece que eu não sou só isso. Nenhum de nós é apenas um conjunto de variantes das categorias que a humanidade inventou até agora.

Eu sou feminista com dificuldades de empoderamento do meu corpo, sou depressiva e ansiosa, sou insegura e tenho problemas na família, tenho problemas de relacionamento, tanto sexual quanto de amizade, sou paranoica, pessimista, superprotetora, indecisa, solitária, potencialmente suicida, tenho dificuldades financeiras e desesperos cotidianos comuns.

Também sou anarquista, antifascista, reflexiva, questionadora, criativa, empolgada, conspiratória, espiritual, excessivamente empática, muito relativista e possivelmente alienígena.

Cada um de nós (nós do lado Jedi da Força, porque fascista tem que apanhar ate perder todos os dentes mesmo, então quando eu digo nós é esse nós , que fique claro), todos somos cada qual um conjunto de variantes classificadas e não classificadas. E precisamos entender que pra que consigamos interagir decentemente, é necessário enxergar o outro em sua totalidade, além das variantes comuns categorizadas historicamente, além de gênero, raça, classe, e sexualidade.

Mas como eu posso enxergar o todo de uma pessoa que acabei de conhecer?

Não pode. Não de imediato. Poderá se ambos decidirem se conhecer e desenvolver essa interação. Enquanto essa decisão não for tomada, simplesmente não tem como.
Que fazer então?

Lembre com calma que não é impossível trabalhar com incógnitas. Eu diria que não é nem difícil. Basta sempre partir da premissa que você não sabe nada da pessoa com a qual fala, até que ela vá se apresentando e se identificando.
Algumas variantes categorizadas são mais óbvias, quanto a etnia e gênero talvez, ainda assim, você não tem certeza até que a pessoa de identifique.
Normalmente o que acontece é que a pessoa se apresenta com seu nome, e a partir dele você deduz o gênero, talvez pela manifestação cultural da sua fala você possa identificar mais algumas variáveis. (Ainda sem certeza até que a pessoa de identifique)

Isso tudo acontece automaticamente.Você já faz tudo isso.
Inclusive é dentro desse processo automático que as pessoas reproduzem lgbtfobia, machismo, racismo. E isto é o meu melhor argumento pra nos convencer de que devemos tirar esse processo do modo automático e fazê-lo acontecer de forma consciente.

Parece difícil, mas basta calma e paciência.
Se você não estiver em condições de se manter em calma e sua paciência estiver nos limites, talvez você não deva estar interagindo com estranhos. Neste caso basta que você diga que não esta de bom humor e postergar a interação. Simples assim.

Se até agora estou me fazendo parecer muito simplista é porque o esforço de ser didática está sendo efetivo.
Nada disso é simples. É tudo mais complexo e confuso. Por isso vamos devagar.

Já estamos prontos (quase) pra olhar pro outro. Preparados, alerta, conscientes.
Mas precisamos também olhar pra nós mesmos.
Porque dentro de nossas variantes estão abertas várias margens pra opressão. Identifique seus privilégios, de classe, raca, gênero, sexualidade... É preciso estar mais alerta pra estas variantes, estás na qual você se encaixa no lugar privilegiado.
Afinal se você está do nosso lado da Força você não quer oprimir o amiguinhe, certo?
E você sabe que só porque se encaixa dentro de algumas variáveis oprimidas isso não te impede de ser opressor quanto a outras.

Ok, então. Já estamos preparados pra enxergar nossas posições privilegiadas.
Já estamos preparados pra interagir com um ser outro.
Só que não.
É preciso considerar também as variantes não-classificadas, não é mesmo?
Principalmente se vamos fazer uma interação política, crítica, construtiva, somatória.

As pessoas tem momentos, tem problemas, tem diferentes níveis de empoderamento e diferentes condições de estabilidade emocional e psicológica.
Precisamos lembrar a todo momento que não sabemos nada disso.
E só saberemos se o outro nos contar, e muito provavelmente não contarão.

O que fazer então?
Por segurança, considerar o pior dos casos.

Sempre converse com o outro partindo da premissa de que esta pessoa é sensível às suas palavras. Não só ao que você quer dizer com elas, mas também ao que ela está ouvindo do que você está dizendo.
Qualquer palavra perdida no meio da sua mensagem pode ser um gatilho pra alguma variante da pessoa que é o outro.
Por isso é importante ouvir o que se está dizendo. Prestar atencão.
Uma crítica construtiva da sua parte pode ser recebida como gatilho pra surtos e um possível suicídio de uma pessoa instável.

Isso não quer dizer que você não deve falar nada nunca, nunca criticar. Nunca questionar, nunca relaxar pra conversar com as pessoas porque pode gatilhar o outro. Quer dizer apenas que precisamos de cuidado.

E se faz necessário reiterar esse cuidado porque não estamos acostumados a ter esse cuidado.
E agora. Nesta época crítica da situação sociopolítica brasileira. Todos estamos meio em crise. Todos estamos instáveis, sensíveis, ariscos. É natural que estejamos. Então se faz mais urgente que prestemos atenção nesses fatores.

E antes que me ouçam como a hippie pacifista, repito, a comunicação não-violenta aqui se direciona ao nosso lado da Força.
Fascista se trata com violência sim, até ficar com medo dos Jedi, fascista tem que ser exposto, humilhado, apanhar, até querer se esconder.

Assim, tão importante quanto tudo que já foi dito, é necessário ver as pessoas com clareza.
Não é difícil enxergar quem é gente como a gente e quem tá do lado errado da Força.
Mas se você não tiver com os olhos abertos, você vai tratar um parceiro Jedi com a violência que um fascista merece.

Portanto devemos sair pra interagir com calma e olhos abertos.
Paciência e atenção.
No modo alerta, e automático desligado.

Quando estivermos vulneráveis, cansados, ariscos, sensíveis, se pudermos escolher (o que normalmente o capitalismo não permite) é ideal que fiquemos dentre amigos, em ambientes confortáveis, até que estejamos mais fortes.

Interação exige energia, concentração.
Recarregue-se.


Bhk2018

domingo, 14 de janeiro de 2018

Praying for my Positive Mental Attitude to return tomorrow

So my dad gets my brother in a bad mood, I refuse to spread it to mom -which is hard and I fail sometimes- but she spreads it back to me.
So this friend's parents get him in a insecure mood and this friends starts being weird to me.
So this friend's brother got him sad and mad, don't know who ever might have gotten him depressed.
So this friend gets me sad and mad. I refuse to get my mom and brother equally sad or mad.

MAN

THERE'S JUST SO MUCH FEELS I CAN TAKE IN WITHOUT LETTING NOTHING OUT (hm.... I need to start boxing....)

Depression is indeed contagious
and I'm starting to feel like I'm here in the world just to take all chains of depression and contain it

Because that's the only thing I kind of do well.
I am indeed kinda good in taking people's chain of depression and not spreading it.
I feel peoples feelings, I understand them and try to turn them around, I try to show them different perspectives, I try to show them I really care and I'm not saying things just for the record, I try to make them feel comforted, I try to remember them that Life is more than what they're feeling at that moment.

Yet, I feel I don't have people to do that for me.
I feel like when I need this kind of reassuring no one is there to support me.

I hope I'm not the only one ending chains of depression, or the world is doomed.

domingo, 11 de junho de 2017

A Arte da Desistência

Hoje eu arrastei o puff pro sol e fiquei assistindo Coragem, o cão covarde.
E olha, esse cachorro caga de medo mas se tem uma coisa que ele tem é coragem.
E eu digo isso porque sei bem o que é covardia.

Se tem uma coisa que eu sei fazer é desistir antes de tentar.
Eu fundamento essas decisões com um monte de análises de possibilidades e expectativas e digo que claramente não vai dar certo, que vou me fuder, que vou me machucar ou destruir algo ou alguém.
Aí desisto sem nem chegar perto de tentar.
Então, é, eu frequentemente faço não fazer seja la o que for que eu possa desistir.

É por isso que eu nunca me envolvi em relacionamentos, é por isso que eu nunca completei nada daora, é por isso que eu nunca fiz nada e por isso que eu não tenho mais vontade de fazer nada, já que seja o que for que eu vá começar provavelmente não vou terminar.

Manja aquele cientista maluco do Jimmy Neutron?
Professor Calamitous
O cara que nunca termina nada. Ele que tem um monte de invenções nunca terminadas.
Essa sou eu.
Nunca faço nada direito e nunca termino as merda que começo.

Mas é logo depois disso que eu chego a conclusão que não vale a pena tentar começar nada.



ps: Eu gosto de chamar as coisas de Arte quando eu domino essas coisas.
Só pra poder dizer Eu Domino a Arte da Desistência.

                                                                                                                                                 BHK2017

domingo, 12 de fevereiro de 2017

The People vs. O.J. Simpson


Eu acabei de terminar a série. American Crime Story, primeira temporada, sobre o caso de O.J. Simpson, o Juice, estrela do futebol americano, ídolo e inspiracão de americanos de todas as cores. Ele foi acusado de assassinar a ex-esposa e seu atual parceiro com um conjunto imenso de evidências. Ele contratou os melhores advogados, inclusive um especialista da causa negra anti-racismo.

A serie tem enorme sucesso em apresentar 4 temas políticos de extrema relevância e polêmica. Racismo, Machismo, Mídia e Sistema Jurídico. A situacão e especificidade do caso faz com que algumas delas entrem em conflito umas com as outras, mas sobre cada uma a crítica é feita.

Esse caso é delicado justamente porque contém a mulher como vítima, e ao mesmo tempo, o homem negro como vítima. Mas as duas são colocadas em lados opostos frente á corte e ao juri.

O homem negro vem sendo oprimido, isto é, assassinado, escravizado, surrado, explorado, reificado á séculos.
O homem vem oprimindo, assassinando, violentando, abusando, estuprando, surrando e explorando a mulher á séculos.
E, infelizmente, o homem negro não se exclui desta categoria.
Mulher também apanha de homem negro. Homem negro também estupra. E esses mesmos homens negros que oprimem mulheres são sim vítimas de racismo. Ao mesmo tempo. Uma coisa não exclui a outra.

Eis então a falha no sistema e a complexidade da sociedade durante o caso de assassinato de Nicole e Ron.

Aqui eu comeco a contar detalhes do caso na serie, mas nao chega a ser forte spoiler, ta mais pra sinopse:

A equipe de defesa de O.J. Simpson buscou provar que a polícia de Los Angeles, (que é de fato racista e fascista) incriminou O.J. e plantou diversas evidências por motivos racistas.
O que de fato deve ter ocorrido em diversos casos de outros réus negros ao longo da história e ainda deve acontecer atualmente.
A equipe da promotoria encarregada de acusar O.J. de culpado no assassinato buscou enfatizar as evidências incontestáveis, através de provas com dna e histórico de violência doméstica, e acusou a defesa de usar a teoria da "cospiracão" sobre o racismo na polícia pra libertar uma assassino rico, famoso e culpado.

A partir daqui vai ter spoiler, tá?

Depois de um par de luvas que cabia mas não cabia, depois de um detetive racista e assumidamente nazista, depois de diversos fatores e evidências questionadas, depois de diversos livros, diversas entrevistas na mídia, diversas polêmicas, O.J. Simpson foi declarado inocente pelo juri.
Sem nenhum outro suspeito a investigacão do assassinato de Nicole e Ron não continuou.

As mensagens enviadas, que não necessariamente são recebidas na íntegra pelos espectadores são :
- A crítica sobre a efetividade do sistema jurídico e constitucional americano que falhou ao libertar um assassino, o que ocorreu completamente de acordo com as regras do sistema;
- A exploracão e poder de controle da mídia sobre a opinião pública que foi usada de instrumento pela defesa e foi demasiado opressora com a promotoria, principalmente machista em relacão á Marcia Clark, e também foi silenciadora e excludente sobre o também assassinado Ron;
- O machismo da sociedade como um todo, ou seja, da parte da mídia, das famílias, da própria promotoria do Estado, dos advogados de defesa e até da comunidade negra. Retratado em volta de Marcia Clark, da vítima Nicole e de Peggy esposa do juiz encarrecado do caso. (sobre as quais eu posso falar mais detalhadamente depois)
- A corrupcão e cospiracão racista de toda uma sociedade e da amplitude das consequencias destas quando permitidas dentro de uma instituicao de controle e poder como a polícia, que foi demosntrada pela defesa na sua amplitude que ultrapassa o caso de O.J. independente do veredito que recebeu, assim como o racismo presente em todos grupos, seja na mídia, na promotoria, na defesa, e na prória instituicão de admnistracao do juri.

Isso foi um resumo de tudo que eu penso, depois eu falo mais.


domingo, 27 de março de 2016

Cheguei à conclusão que eu sou uma ameba

Como vocês conseguem se importar e viver ao mesmo tempo?

Eu me importo pra caralho mas toda vez que tou vivendo eu penso que se me importasse de verdade estaria fazendo alguma coisa útil em vez de, bem, viver. Então chego à conclusão de que não me importo de verdade. Aí, me convenço de que não me importo. Me convenço de que não iria conseguir fazer nada útil mesmo que me importasse. Então não faço nada mesmo.

Mas na prática, isso não facilita meu viver. Apenas faz com que eu faça tudo com remorso.
Eu podia tar acabando com o racistas e tou aqui lendo um romance inútil. Eu podia tar denunciando abusos e tou aqui jogando esse jogo idiota. Eu podia tar disseminando a revolução e tou aqui deitada encarando a parede. Eu podia tar pregando a autonomia e tou aqui rindo de gifs no tumblr. Eu podia tar destruindo homofóbicos e tou aqui inventando quarenta e duas formas de bagunçar com as gatas.

Como vocês conseguem dormir e se importar com o sexismo? Como vocês conseguem transar e se importar com o racismo? Como vocês conseguem comer e se importar com a homofobia? Como vocês conseguem amar e se importar com a revolução?
Eu me sinto hipócrita. Muito. Tem um ser dentro de mim me julgando dizendo 'Se você se importasse mesmo estaria lá lutando e não aqui vendo série no netflix'. Esse ser passa o dia todo sussurrando varias fitas. E todas elas provam o quanto eu sou inútil, o quanto eu não me importo, o quanto eu sou passiva, o quanto eu não faço e nem farei diferença nenhuma pro mundo.
O dia todo. O tempo todo. Todos os dias. Com meu cérebro me bombardeando de motivos pelos quais não adianta eu fazer nada mesmo, não adianta eu fingir que tou fazendo algo útil aqui e ali de vez em quando. Na prática eu não tou fazendo nada útil. Na prática eu não faço mesmo nada útil porque sei que tudo que sei fazer é inútil.

Eu sou uma pessoa teórica. Se desse pra minha existência estar no plano das ideias ela estaria. Eu estaria. Eu tou sempre pensando. Refletindo. Teorizando. Inventando ideias. Não escrevo nada. Raramento falo pra alguém. [o que é engraçado, porque, de fato, a porcentagem do que eu falo com pessoas em relação ao todo que eu penso é tão pequena, de verdade, muito pequena, apesar de parecer que eu falo muito.] Não estudo nada. Não leio nada. NÃO LEIO NADA. Por Satan! Toda teoria revolucionária que move minha cabeça eu invento dos meus pensamentos, baseados na minha noção de justiça. Eu li uma coisa aqui e ali. Quando eu leio, que é quase nunca, é pra confirmar se realmente essa conclusão que eu cheguei vai de acordo com sei la qual autor de sei lá qual corrente política. Pelo amor de luci, quando eu descobri que Marx não curtia a propriedade privada eu fiquei chocada: 'nooooossa, se pá isso que eu penso é marxismo' [não era]. COMO RAIOS a cabeça de um ser humano pode funcionar desse jeito? Quero dizer. As pessoas normais tem cabeças que não funcionam dessa maneira, certo? Na real eu tou começando a duvidar. Talvez a cabeça das pessoas funcione assim mesmo. Você pensa algo. Fala pra alguém que você pensa algo. Esse alguém te diz que aquele autor já escreveu sobre algo. Aí você lê aquele autor e descobre que concorda com ele.
É assim que as cabeças funcionam? Pra mim faz muito sentido, na verdade. Talvez devesse ser assim mesmo. Apesar de que é possível que pra mim só faça sentido porque minha cabeça funciona assim.

Mas não se empolgue. Eu raramente chego na fase de ler pra tirar a prova efetiva da suposta concordância entre o autor e o meu pensamento. Por isso não sei qual vertente do feminismo eu sigo. Não sei qual vertente do anarquismo eu apoio. Não sei quais autores corroboram com a maioria dos meus raciocínios.Por isso eu não consigo [acho eu] enxergar minhas incoerências. Por isso eu não consigo de fato fazer nada do que acho que deveria ser feito.

É em resumo. Eu não faço nada. Não vou fazer nada. Vou viver de nada. E devia ter escolhido mesmo qualquer outro curso da minha lista de cursos que eu queria fazer por pura curiosidade, devia tar na biologia, na geologia, na química, na física, na matemática, qualquer uma; mas não, eu achei que sociais ia me guiar no sentido da revolução. Hah.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Saudade da minha caneca


Eu sempre reclamo sobre pessoas e sentimentos. Afinal pessoas dão muito trabalho, uma vez que elas tem sentimentos, tem pensamentos, tem vontades, e além do mais há sempre a possibilidade de falha comunicativa. Luci Amado, como é complicado se comunicar com um ser humano. Qualquer frase pode ter duplo significado, qualquer termo levemente tendencioso a ambiguidade pode comprometer toda comunicação. E essa, por sua vez, pode comprometer qualquer coisa. Então, bem, pessoas exigem paciencia, muita. E eu gasto todo meu estoque com a parte comunicativa e quanto a opiniões e vontades, não sobra paciência nenhuma pra parte dos sentimentos.

Que praga essa coisa. Sentimentos. Ninguém devia ter isso. Acho que isso aí é um puta bug no sistema operacional humano que deviam arrumar logo. Não dá mais.
Eu não consigo conceber o quanto os sentimentos são amplos e enraizados nas ações de todas as pessoas. Mas de verdade, em TODAS ações. Até na ausência de ações. Eu, por exemplo, tou sendo movida pela necessidade de proteger meu orgulho - o que eu entendo como um sentimento, uma emoção, ainda que não consiga escolher um nome que bem lhe represente - quando deixo de contar pras pessoas que abalam meu coração que gosto muito delas. Agora, diga-me qual RAIOS é a utilidade de um sentimento desse? Pra nada serve. Pra bagunçar tudo. Ainda que seja difícil ver esse exemplo como um sentimento. A maioria dos sentimentos servem apenas pra complicar relacionamentos interpessoais e causar sofrimento e dor. [E tou dizendo a maioria pelo princípio da incerteza mesmo, não consigo pensar em nenhum que sirva pra algo.]
Se houvesse uma passeata pelo fim das emoções, eu ia com certeza.

Agora, como se não bastassem pessoas e sentimentos, tem instituições. Tipo, ai meu santo capeta, a Família. [Note que na minha visão de instituição também cabem: machismo, etiqueta, ''religião'', e etc] A família é aquela coisa que ta ali, todo mundo sabe como funciona, todo mundo se fode com ela, e todo mundo passa a vida fugindo dela e ainda assim pregando 'ui ui ui familia é a unica que voce pode confiar, ai ai ai familia voce tem que amar bla bla bla'. Acho que é a hipocrisia que mais me irrita, mas enfim. Familia é o treco que faz o universitário que estuda longe voltar nos feriados idiotas pra sentar em volta de uma mesa, comer qualquer coisa junto de alguma forma ritualística cujo significado ninguém sabe, e sofrer com as conversas intolerantes.
Juro, dez minutos em casa e minha vó já tava reclamando de ''cabelo ruim'' de negro. PELOAMORDOSANTOCAPETA
Mas, tá, calma. Foco. Nem toda família é totalmente conflituosa com seus integrantes universitários. Tem famílias que realmente se amam e tal.... será?
Me preocupa um bocado isso. Afinal, eu volto pra SP porque tenho que manter uma relação com meus pais pra poder ver meu irmão, pra que eles me mandem dinheiro e pra satisfazer pequenas saudades. Normalmente saudades da cidade. Eu ainda sinto muita falta de São José dos Campos. As pessoas devem sentir falta de pessoas de suas cidades. Eu não tenho pessoas em SP mais. Digo, conheço pessoas. Mas não tenho mais proximidade pra sair com elas. O QUE É UMA MERDA porque meus pais acreditam piamente que é normal ficar as 48hrs do fim de semana dentro do apartamento passando hipotético ''tempo'' com eles.
Enfim, é, as pessoas tem saudades de parentes, amigos, da cidade, dos rolês, sei lá. Mas vocês já pararam pra apreciar a saudade das coisas? Acho que todo mundo deve ter saudade de umas coisas. Eu parei pra notar hoje o quanto eu senti falta da minha caneca. Ela é preta e vermelha s2. Ela tem uns kanji japonês escritos, que eu não faço a menor ideia do que são, e ela tem um par branco. Branca e vermelha a outra. Eu nao sei porque senti falta mais de uma do que da outra. As duas são e não são minhas, como tudo nessa casa e de ''minha posse'', meus pais compraram com o dinheiro deles então eles que determinam o que eu posso ou não chamar de meu. Nos tempos primordiais da compra - ou talvez tenha sido um presente - a caneca preta era de papai e a branca de mamãe. Nada haver. Eu que uso as duas, e só uso elas e nada mais. NA PRÁTICA SÃO MINHAS.
Eu senti tanta saudade dessa caneca que quase abracei ela antes de enchê-la de coca. Na real, capaz de eu ter feito isso sim, não lembro.
De qualquer forma. OLHA ISSO. Um sentimento tão forte e profundo quanto saudade, assim, inutilmente associado a objetos materiais sem nenhuma história marcante ou significativa. Me diz se esse treco não é um bug que precisa arrumar. Cade a atualização do homo sapiens? quando sai o 2.0? Tá na hora. E olha. Esse não é o único bug. É só o único sobre o qual eu tenho paciência pra discorrer sobre no momento.

>> Só pra testar, pessoas fofas que curtem Death Note e eram apaixonadas pelo L travavam com a musica tema assim como eu? MANO, eu dava um puta overheating e parava de funcionar, sério, rolava até umas convulsão emocional. Não pode isso não. Precisa atualizar o sistema.
Eu morri quando descobri essa tubular bells: The Exorcist // L Theme Song <<

Como quebrar uma sagitariana

O cara me quebrou.
Eu tou quebrada.
Dois rolês e o cara me quebra. Pode isso?
Eu já estive quebrada antes, no nível depressão contagiosa. Tipo, beeem quebrada.
Mas cara. A quebradura aqui ta passando dos limites, eu tou ficando lunática.
Não é justo. Paixonites são coisas que devem ser temporárias.
E não faz sentido nenhum. O cara não tem nada demais.
Mas essa que é a fita, ele usou das malandragem, certeza.
Ah pararará senta aqui vamo se pegar, ok, foi bom, tchau - faz você pensar que não foi nada aí boom, aparece noutro role de novo, deixando muito claro muito bóvio que que ele quer - aí, pá, pega um pouquinho, troca umas ideia, pega um pouco mais - faz você pensar que ta rolando algo daora, desperta um interesse - e aí tcham tcham tcham, some - onde tinha interesse não tem mais, migué aqui e ali, sumida forever - pronto fodeo
PUTAQUEOPARIL melhor técnica pra quebrar uma sagitariana
MIGO FALA SÉRIO, HAJA MALDADE NO CORAÇÃO, TUDO TEM LIMITES
Ce não pode quebrar uma sagitariana desse jeito, é tipo profanar o mais sagrado dos túmulos, sei lá.
Meu coração não guenta, explode, esparrama, contamina todo sistema periférico e nem me fale dos danos no sistema nervoso central.

Tou de boa, no banho, sonhando com as fitas perfeitas pra se iniciar a revolução, fantasiando mesmo. Eu faço isso. Fico narrando como se tivesse lendo um livro. Aí tou lá eu fantasiando sobre rolês, imaginando as coisas acontecendo feito filme e de repente eu termino com desfecho a la cinderela. MAS QUE PORRA. Sério. Não dá. Não aguento isso.
Por que fazer isso comigo? Me diz. É por maldade só? Algum tipo de vingança? É algum score machistão? Quantas corações de minas de cabelo colorido eu consigo destruir em um ano. Self Bet.
Que que é? Pode ser da natureza do ser. Eu entendo. Evil nature, Tenho também. Sei como é, mas pow, rola umas misericórdia de vez em quando, não? ''Poxa, foi mal, eu não queria sequestrar seu coração e fazer dele picadinho, desculpa não ser recíproco, sabe como é, não da pra controlar... '' ALGO ASSIM! QUALQUER COISA, poxa, misericórdia.
Até eu que tenho ego frágil faço isso ás vezes, não é tão difícil, vai.
Olha que é o mesmo ego frágil que não quer ir falar na cara do ser 'oi, da pra ce me dar um fora de uma vez, tou precisando' Ô SANTO CORAÇÃO SAGITARIANO, CUSTA ASSUMIR A DERROTA DE UMA VEZ, chega uma hora que é melhor a humilhação bruta final do que a self-inflicted humilhação diária. Que que é isso, minha gente? Que que ta acontecendo?

Não. Sério. Para. Olha isso. Eu fugi do facebook. Agora tive que fugir do tumblr.
O negócio ta complicado. Eu não sei o que que eu tou fazendo que ta dando tão errado. Eu costumava superar as crush tão fácil. Poxa. De verdade, eu não dou conta mais de sentimentos, eles bugam meu raciocínio, que é a maldita coisa em mim que eu realmente gosto. Não posso passar por isso.

Se alguém tiver uma poção Supera-Crush, pelo amor do amado capeta, me descola isso, por favor.
Eu não vou durar muito mais.

Sadly, with love.
-Moron